
Quietinha no meu canto e olhando para mim,
minha alma pediu dança, a dança da paz,
a dança da vida que me leva para caminhos suaves onde eu posso ver
a beleza do Sol, ouvir o cantar de um pássaro, olhar o pouso delicado
de uma borboleta que brinca de flor em flor...
Assim sou eu hoje, calma, tranquila, e feliz por estar prestes a cumprir
mais uma etapa da minha vida.
Mais um ano de vida que Deus com seu amor me permitiu acrescentar...
Olhando para mim, olhando para tudo isso, chego a seguinte conclusão...
Deus não me deve nada, eu devo minha vida a Ele...
Vivian
Escrito por Vivian às 15h41
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Saberás que não te amo e que te amo porquanto de dois modos é a vida, a palavra é uma asa do silêncio, o fogo tem sua metade fria.
Eu te amo para começar a te amar, para recomeçar o infinito e para não deixar de te amar nunca: por isso mesmo é que ainda não te amo.
Te amo e não te amo como se tivesse em minhas mãos a chave da ventura e um incerto destino desditado.
Meu amor tem duas vidas para amar-te. Por isto te amo quando não te amo e por isto te amo quando te amo.
Pablo Neruda Do livro "Cem Sonetos de Amor"
Escrito por Vivian às 01h15
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Divagando
"Teremos alguma vez na vida, um pouquinho de tempo que seja, para dizermos ao outro
o que nos vai por dentro?
Teremos alguma vez na vida, a coragem suficiente para ouvirmos do outro
o que há para ser ouvido?...
Teremos alguma vez na vida, o saber profundo de não misturar
o que queremos dizer e o que devemos ouvir?...
Teremos alguma vez na vida o sentir do momento certo para no momento exato
estarmos perto (ou ainda que distante) e sabermos que não dizer é o mesmo que gritar?...
Não sei!...
Questiono-me imensas vezes sobre a possibilidade de estar certa
e não o saber ou de o saber e não estar certo o que penso que sei...
Indago a mim mesma se o que sinto deve ser dito ou se deve ser guardado no infinito...
Pergunto-me se quero ou se não quero, se devo ou se não devo...
É então, nesses momentos de angústia, que decido o que fazer da minha vida
(será que ela me pertence?...):
Tomo então a decisão de escolher...
Assumo então a minha escolha e aceito as consequências acolhendo-as ao advir
sem constrangimentos nem sentimentos de culpa...
Afinal, nada me consegue fazer parar porque cada vez mais tenho a certeza
que o caminho é somente aquele que nos permite amar...
É por aí que eu irei..."
Escrito por Vivian às 21h45
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MULHER DE 40.....
Texto de Adriano Silva, 31 anos, diretor de redaçao da revista Surperinteressante
Tome a mesma mulher aos 20 e aos 40 anos. No segundo momento ela será umas sete ou oito vezes mais interessante, sedutora e irresistível do que no primeiro.
Ela perde o frescor juvenil, é verdade.
Mas também o ar inseguro de quem ainda nao sabe direito o que quer da vida, de si mesma, de um homem.
Nao sustenta mais aquele ar ingenuo, uma característica sexy da mulher de 20.
Só que é compensado por outros atributos encantadores de que se reveste a mulher de 40.
Como se conhece melhor, ela é muito mais autentica, centrada, certeira no trato consigo mesma e com seu homem.
Aos 40, a mulher tem uma relaçao mais saudável com o próprio corpo e com seu cheiro cíclico.
Nao briga mais com nada disso.
Na verdade, ela quer brigar o menos possível.
Está interessada em absorver do mundo o que lhe parecer justo e útil, ignorando o que for feio e baixo-astral.
Quer é ser feliz. Se o seu homem nao gostar do jeito que ela é, que vá procurar outra.
Ela só quer quem a mereça. Aos 40 anos, a mulher sabe se vestir.
Domina a arte de valorizar os pontos fortes e disfarçar o que nao interessa mostrar. Sabe escolher sapatos, tecidos e decotes, maquiagem e corte de cabelo. Gasta mais porque tem mais dinheiro. Mas, sobretudo, gasta melhor.
E tem gestos mais delicados e elegantes.
Aos 40, ela carrega um olhar muito mais matador quando interessa matar; finge indiferença com mais competencia quando interessa repelir.
Ela nao é mais bobinha. Nao que fique menos inconstante.
Mulher que é mulher, se pudesse, nao vestiria duas vezes a mesma roupa nem acordaria dois dias seguidos com o mesmo humor.
Mas, aos 40, ela já sabe lidar melhor com este aspecto peculiar da condiçao feminina.
E poupa (exceto quando nao quer) seu homem desses altos e baixos hormonais que aos 20 a atingiam - e quem mais estiver por perto - irremediavelmente.
Aos 20, a mulher tem espinhas.
Aos 40, tem pintas, encantadoras trilhas de pintas. Que só sabem mesmo onde terminam uns poucos e sortudos escolhidos.
Sim, aos 20 a mulher é escolhida. Aos 40, é ela quem escolhe.
E nao veste mais calcinhas que nao lhe favorecem. Só usa lingeries com altíssimo poder de fogo. Também aprende a se perfumar na dose certa, com a fragrância exata. A mulher aos 40, mais do que aos 20, cheira bem, dá gosto de olhar, captura os sentidos, provoca fome.
Aos 40, ela é mais natural, sábia e serena. Menos ansiosa, menos estabanada.
Até seus dentes parecem mais claros. Seus lábios, mais reluzentes. Sua saliva, mais potável.
E o brilho da pele nao é o da oleosidade dos 20 anos, mas pura luminosidade.
Aos 20, ela rói unhas.
Aos 40, constrói para si maos plásticas e perfeitas.
Ainda desenvolve um toque ao mesmo tempo firme e suave. Ocorre algo parecido com os pés, que atingem uma exatidao estética insuperável.
Acontece também alguma coisa com os cílios, o desenho das sobrancelhas. O jeito de olhar fica mais glamuroso, mais sexualmente arguto.
Aos 40, quando ousa no que quer que seja, a mulher costuma acertar em cheio.
No jogo com os homens, já aprendeu a atuar no contra-ataque. Quando dá o bote,é para liquidar a fatura.
Ela sabe dominar seu parceiro sem que ele se sinta dominado. Mostra sua força na hora certa e de modo sutil.
Nao para exibir poder, mas para resolver tudo a seu favor antes de chegar o ponto de precisar exibi-lo.
Consegue o que pretende sem confrontos inúteis.
Sabiamente, goza das prerrogativas da condiçao feminina sem engolir sapos supostamente decorrentes do fato de ser mulher.
Se voce, leitora, anda preocupada porque nao tem mais 20 anos - ou porque ainda tem mas percebeu que eles nao vao durar para sempre - fique tranqüila.
É precisamente aos 40 que o jogo começa a ficar bom.
Escrito por Vivian às 22h23
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Ao encontro de mim...
Na demanda do silêncio encontrei respostas em páginas soltas amarelecidas de um tempo de sorrisos e outros ainda vazios de tempos.
De olhos cerrados fitei o vazio cheio de meus desejos. Dei um giro no fundo e me deixei solta em mim, sentindo o que eu nem mais recordava. Por falta de coragem ou apenas com a simplicidade do esquecimento. Por instantes, breves, fugidios, senti um arrepio como se uma estranha sensação aprisionasse todo o meu ser. E ri dos meus medos. Assim. De frente. Com coragem. Jurei afiançar por muito tempo que eles eram os monstros que hospedavam meu pensar. Olhei-os de frente e descobri que, afinal, nunca foram maiores que minha limitação. Nunca se expandiram sem que eu permitisse.
Naquele tempo de busca encontrei, já nem sei onde, o que ainda era um menino frágil na sua leve doçura, com os olhos inundados de saudade, a luminosidade de um horizonte por alcançar. Da saudade do que ainda não se viveu. Como ele estaria ali , olhando as marcas de passos perdidos na terra batida. Naquele momento não entendi porque ele sentia falta de algo que possuía. E como ele sorria, como se fosse o seu primeiro amor e brincava com ele, com o coração batendo acelerado, correndo por espaços que confinam nos seus braços e se espraiam em redor do seu corpo.
Este menino não me era de todo estranho. Tinha um não sei quê de ternura embevecida, um olhar perdido no esvoaçar de uma folha amarelecida pelo outono. Por um segundo senti novamente aquele medo não descrito por simples palavras e tentei fugir, talvez escalar a mais íngreme montanha na decisão de encontrar uma caverna para ocultar as lembranças. Não que elas não fossem bem-vindas, mas por serem somente minhas e por achar que em um lugar onde só eu pudesse entrar, elas estivessem seguras. Apertei as pálpebras e mordi o lábio sentindo o sangue quente em minha língua e em meu paladar. Talvez tenha agido assim para despertar do momento que me domava, mas não me desviei dele por mais que eu tenha tentado. A verdade é que eu sabia que não queria fugir mesmo sabendo que eu estava caminhando por caminhos conhecidos e ao mesmo tempo desconhecidos. Foi como se uma mistura de realidade escapasse do tempo concreto e tudo acontecesse de uma maneira sistemática entre o sonho e a capacidade de sentir o físico.
Aos poucos fui sentindo uma transformação que eu almejava e que não conseguia alcançar. Todos os momentos desfilavam à minha frente e a criança que fora e se perdera, sorria e outras vezes chorava, sem desistir de suas metas. Compreendi que essa menino frágil e ingênuo era dono de muito mais saber do que eu pensava existir. Olhei-o nos olhos e me vi refletida em sua pupila. Um rosto cansado, cheio de marcas. Um sorriso triste e um quê de felicidade que foge à tradução. De leve como quem quer aproximação esbocei um leve gesto de paz sentida. A criança aproximou-se e cobriu-me com sua luz que tomava todo o ambiente. Vi nas janelas de seus olhos uma existência para além do infinito. Eu me via, ali, prostrada, na busca de um em vão. Na busca de explicações ouvi uma voz sem que esse menino movesse os lábios. O que ouvi me trouxe as respostas. Que em desespero tentei traduzir.
Não precisamos manter os olhos abertos para enxergarmos o que buscamos,
e sim fechá-los umas quantas vezes para olharmos para o interior que é nossa busca permamente.
É onde estão todas as soluções para o que julgamos sem solução.
No EU completo se exprime o vento que num leve assovio,
murmura segredos da noite que meu espírito protege
em renascimento.
Assim sou e minha eterna busca...
Escrito por Vivian às 01h36
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