
Conte-me uma estória.
Pediu ela enquanto recuperava o fôlego
depois dos corpos saciados
em aventuras muito além da pele
e dos orgasmos.
Ah! conheces a estória.
Disse ele enquanto passeava os dedos
pelo ventre dela que ondulava devagar,
depois de ter sido todas as mulheres
que quisera ser.
Conheço, pensou ela, demorando as carícias
que adoçavam a pele dele, sob o vermelho
de suas delicadas unhas.
Conheço o teu imaginário, que é o meu.
Seríamos corpos e fantasias.
Ela é a minha amiga como amante,
tu és o meu amante como amigo.
E sei que sonhas com a outra de mim,
com a sua pele na minha, quatro pés
insinuantes, dois corpos redondos
e mornos, unidos em aromas e texturas iguais,
duas bocas de mulher coladas
num espelho paralelo.
Duas de mim
Três de nós
O número perfeito
Aguçando as fantasias...
Escrito por Vivian às 20h19
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Deus pede estrita conta do meu tempo,
e eu vou, do meu tempo, dar-lhe conta.
Mas, como dar, sem tempo, tanta conta,
eu, que gastei, sem conta, tanto tempo?
Para dar minha conta, falta o tempo,
o tempo me foi dado, e não fiz conta.
Não quis, sobrando tempo, fazer conta,
hoje, quero acertar conta, e não há tempo.
Oh, vós que tendes tempo, sem ter conta!
Não gastei vosso tempo em passatempo,
cuidai, enquanto é tempo, em vossa conta.
Pois, aqueles que, sem conta, gastam tempo,
quando o tempo chegar, de prestar conta,
chorarão, como eu, o não ter tempo.
Frei Antònio das Chagas, Meados do século XVII
Escrito por Vivian às 00h50
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Vem comigo nesse sonho por um dia ou por um ano... Importa é não perder os passos dessa dança louca que vivemos.
Abraça-me... Esquece a eternidade, ela é agora desfrute desse sonho que é só nosso não digas nada, não é preciso nossos olhos falarão por nós.
Abraça-me... Dança comigo só mais um pouquinho Depois, o tempo...
Ah! O tempo cuidará de nós. Por ora, vem...
Abraça-me nesta dança
Ao som da chuva que cai...
Escrito por Vivian às 23h58
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minha vida é fracionada
em gotas de bem viver...
são escolhas coerentes
que fazem o meu prazer...
Escrito por Vivian às 01h23
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Seria injusto não falar da menina vestida de céu e de seus temporais. Pelo caminho de laranjeiras floridas percorre sem pressa alguma a estrada que à leva ao cenário intempestivo de uma cidade de luzes. Clarões se abrem em câmera lenta, fotografando o mundo, fazendo com que ela abra os braços, teimando em abraçar a terra, e resgatar indiferente a melancolia da alma. Folhas de outras estações rodopiam ao vento, caindo ao chão feito promessas de beijos semeados em terra profunda, encurtando a distância entre o azul escuro bordado de luzes e as raízes que a prendem na terra. A menina do fim da estrada, não fechou as janelas, nem trancou as portas, apenas esperou docemente..."que espetáculo dos deuses não tivesse fim." E sentou-se no anfiteatro do céu, querendo ser carregada na torrente de vento porque era atraída por ela, como se uma força invisível a impelisse a caminhar sobre seus medos, e ir ao encontro do destino das aves que migram buscando verões.. A menina feito temporal e ventania continuou a tecer um fio de luz, no sorriso sincero de quem espera ser feliz...
Escrito por Vivian às 02h00
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